Enquanto taxa de estudantes que concluem cursos universitários caiu mais de 6%, aumento de vagas no ensino profissional técnico aumentou mais de 42% em dois anos no estado
Em Goiás, 59% dos jovens empreendedores (entre 25 e 29 anos) cursaram apenas o ensino médio. De acordo com levantamento do Sebrae-GO, apenas 34% desse grupo, que no estado compreende um universo de 162 mil pessoas, possui formação superior. O dado é revelador porque atesta uma realidade que vem se afirmando como tendência de mercado de trabalho nos últimos anos: a preferência dos jovens por formações mais práticas e de curta duração em vista da formação acadêmica tradicional. O motivo é a vontade de empreender, que é cada vez mais precoce.
Ainda segundo os números do Sebrae-GO, Goiás pode ser considerado um estado com forte perfil empreendedor na faixa etária mais jovem de sua população. De acordo com o levantamento, 9% dos goianos entre 25 e 29 anos são empreendedores. Desse total, 150 mil trabalham por conta própria, enquanto 12 mil são empregadores.
Entre essa população ampla e crescente, o cenário é o de desaquecimento da demanda e queda por procura quando o assunto é carreira acadêmica. De acordo com números referentes a 2023 e 2024 divulgados no Mapa do Ensino Superior, publicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), o número de ingressantes em cursos universitários presenciais caiu 1,3% no período. Na modalidade EAD, a queda foi ainda maior: 3,9%. Quando se abordam os jovens que concluíram cursos de graduação, esse decréscimo é ainda mais acentuado: 6,3%.
Por outro lado, os números do Censo Escolar 2025 sobre formação profissional em Goiás descortinam uma realidade oposta. O estado terminou o ano com 53.935 matrículas em cursos no campo da Educação Profissional Técnica (EPT), um aumento de 42,59% se comparados às 37.839 vagas registradas em 2023.
O crescimento se revela não somente no aumento das vagas. A amplitude territorial também chama a atenção: as vagas são distribuídas por 241 dos 246 municípios goianos. Também as áreas de distribuição das vagas demonstra o quão eficiente se encontra a oferta de vagas de ensino profissionalizante: Tecnologias da Informação (TI) abarca 24,1% da oferta de vagas. Gestão de Negócios engloba 23,7% do total. Controle e Processos Industriais perfaz 16,9% do universo de cadeiras ofertadas.
Para o empresário e candidato a deputado estadual Felipe Mabel (Podemos), que faz do empreendedorismo jovem uma de suas principais bandeiras de campanha, os números precisam ser analisados com cuidado. “Não se pode subestimar o valor da educação universitária na formação de um empreendedor. Talvez o que os jovens estejam começando a relativizar é o ensino acadêmico puro, descolado da realidade, e da realidade de mercado, de forma mais específica”, observa.
Tendências
De acordo com Mabel, a tendência atual é a da escolha por carreiras e formações que ofereçam ferramentas de conhecimento eficientes para a abertura do próprio negócio. “Não existe mais o emprego dos sonhos. Cada vez mais, existem as oportunidades certas e o mercado ideal para ser o próprio patrão”, comenta.
Mabel cita o Programa Profissionaliza Goiás, criado pelo Governo Estadual em 2025, como um exemplo de fomento à atividade profissionalizante com potencial para formar a nova geração de empreendedores goianos. “São cursos técnicos para áreas bastante aquecidas, como agronegócio, informática, logística, técnicas de administração e gestão. Só para o Senac, o Profissionaliza já patrocinou mais de 5.100 matrículas, em 12 cursos de qualidade, espalhados por 16 municípios”, informa.
O postulante à vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) salienta que iniciativas governamentais como a que descreveu estabelecem uma nova forma de concepção de mão de obra qualificada, “Não existe mais somente o empregado de alta qualificação como objetivo. Cada vez mais, importa formar o empresário, cada vez mais cedo, com habilidades de gestão e aproveitamento de oportunidades que farão dele uma mola propulsora do desenvolvimento. Essa é a melhor política educacional possível, totalmente adaptada aos tempos atuais”, frisa.